Bounty vegan & saudáveis

Ainda vou a tempo de vos dar uma sugestão de prenda de Natal comestível, ou sobremesa “fora de caixa”? Espero que sim! Estes Bounty vegan & saudáveis ficam prontos em poucos minutos e vão agradar a todos os paladares. Esta receita foi inspirada nesta receita do blog Made by Choices.

Sobre Natal e prendas…

Natal parece ser sinónimo de prendas. Shoppings cheios e um sentimento enorme pressão em comprar algo para todos os amigos e família. Quantas vezes acabamos por comprar um objecto “só para despachar”? Não tenho nada contra as prendas mas acho que é urgente relembrar a intenção das mesmas: oferecemos por carinho ou por obrigação?

Acho que não há maior sinal de carinho do que uma prenda preparada com as próprias mãos. Neste mundo tão corrido em que vivemos, dedicar tempo para preparar algo caseiro para alguém é mesmo uma ação de valor e de amor. Por isso, incentivo-os a preparar esta ou outras prendas comestíveis para o Natal e não só 🙂

Sobre estes Bounty vegan & saudáveis…

Em relação à esta receita específica, seja para Natal ou não, por favor façam-na! Os ingredientes são bastante simples e poucos. O único um pouco mais específico é a manteiga de caju, que é crucial para dar a consistência desejada para os bombons sem adicionar um sabor muito intenso. Em vez da manteiga de caju podem usar a de amendoim, no entanto, o sabor final dos bounty será diferente e a cor também.

No que toca ao adoçante, podem substituir a geleia de arroz por outros adoçantes de cor clara: a geleia de agave, xarope de ácer, geleia de milho, entre outros. Aconselho a evitarem usar adoçantes escuros (como o xarope de tâmaras), pois têm um sabor mais intenso e vão tornar os bombons castanhos.

E para prato principal…

Para terminar, deixo-vos também uma sugestão de prato principal natalício que partilhei no último artigo: Wellington Vegan.

Wellington vegan

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Bounty vegan & saudáveis
 
Tempo de preparação
Tempo de cozimento
Tempo total
 
Autor:
Tipo de receita: Sobremesa
Cozinha: Vegano, sem glúten
Porções: 40 trufas bounty
Ingredientes
  • 270gr de coco ralado
  • 60gr de chocolate negro
  • 8 colheres de sopa de manteiga de caju
  • 8 colheres de sopa de geleia de arroz (ou outro adoçante claro)
  • 1 colher de chá de essência de baunilha (opcional)
  • Pitada de sal (opcional)
Instruções
  1. Coloque o chocolate negro numa tigela a leve a derreter em banho-maria.
  2. Entretanto, transfira para o processador o coco ralado, a manteiga de caju, a geleia de arroz, a pitada de sal e a essência de baunilha.
  3. Processe tudo até obter uma consistência pegajosa e que permita moldar as bolinhas.
  4. Forme as trufas com as mãos, pressionando bem para ficarem compactas.
  5. Coloque o chocolate derretido num saco de plástico e corte uma ponta muita pequena num dos cantos.
  6. Pressione o saco, fazendo assim riscas de chocolate por cima das bolinhas.
  7. Deixe as trufas repousar durante 15 min no congelador ou 30 min no frigorífico antes de serem consumidas (preferencialmente).
  8. Mantenha as trufas no frigorífico, até 3 semanas (podem ficar algumas horas fora do frigorífico).

 

Pataniscas de Legumes

Uma nova receita por aqui, finalmente! O âmbito no qual trago o artigo de hoje e a receita destas Pataniscas de Legumes é muito especial…é a minha primeira receita do desafio #setembrosemcarnept!

Qual é propósito do desafio setembro sem carne?

O Setembro sem carne é então um desafio que está a decorrer neste momento e que surgiu após as alarmantes notícias dos fogos que têm destruído a Amazónia. A criação de gado e a produção de soja para alimentar os animais são as principais causas da desflorestação da maior floresta tropical do mundo, sendo o Brasil o maior exportador mundial de carne bovina. Assim, este desafio surgiu como necessidade de tomar ação perante estes acontecimentos.

O desafio foi impulsionado pelas nutricionistas Ana Monteiro e Bárbara Oliveira, que convidaram mais 13 criadores de conteúdos para fazerem parte do mesmo, entre os quais estou eu!

E em que consiste o desafio setembro sem carne?

O desafio consiste em não consumir carne durante o mês de Setembro. Para ajudar nisso, nos, os 15 bloggers envolvidos, estamos a partilhar diariamente uma receita 100% vegetal e perfeita para iniciantes. Todas as receitas estão a ser partilhadas no Instagram, por isso, sigam-me por lá aqui!

Hoje é o 11º dia do desafio e decidi partilhar a minha receita também aqui no blog, para ser mais fácil de ser consultada e encontrada no futuro. Esta receita foi inspirada na famosa receita das Pataniscas de Courgette, que é sem dúvida a mais recriada por vocês até agora!

Algumas notas em relação à receita das Pataniscas de Legumes:

  • Não resultam tão bem com outras farinhas como com a farinha de grão, pois esta tem muita mais proteína do que as farinhas de cereais. Assim, a farinha de grão de bico substitui bem o ovo e também fornece um bom aporte nutricional.
  • Podem ser usados outros legumes, desde que sejam igualmente ralados e que possam ser consumidos semi-crus (a batata então não seria boa ideia, por exemplo).
  • Podem omitir a cebola e/ou o alho, se não gostarem deste ingredientes, sem necessidade de ajustar as qualidades da farinha/água.

Pataniscas de legumesPataniscas de legumesPataniscas de legumes

Pataniscas de Legumes
 
Tempo de preparação
Tempo de cozimento
Tempo total
 
Autor:
Tipo de receita: Prato principal
Cozinha: Vegano, sem glúten
Porções: 4 doses
Ingredientes
  • 1 courgette, ralada
  • 1 cenoura, ralada
  • ½ cebola roxa, picada
  • 2 dentes de alho, ralados
  • Salsa picada q.b.
  • 200gr de farinha de grão de bico
  • 200ml de água
  • 3 colheres de sopa de linhaça moída
  • 1 colher de chá (cheia) de bicarbonato de sódio
  • 2 colheres de chá de vinagre
  • 1 colher de chá de pimentão doce (opcional)
  • 1 colher de chá de sal
  • Pitada de pimenta
  • 4 colheres de sopa de óleo de coco
Instruções
  1. Juntar numa taça grande a courgette, a cenoura e o alho ralados, juntamente com a cebola e a salsa picados. Temperar os legumes com o sal, a pimenta preta e o pimentão doce.
  2. Adicionar a linhaça moída e a farinha de grão de bico, misturar bem. Juntar a água e voltar a misturar. A massa deve ficar com consistência cremosa, mas consistente. Se necessário, juntar mais um pouco de farinha ou de água.
  3. Colocar em cima da massa a colher de chá de bicarbonato de sódio e abafá-la (colocar por cima) com o vinagre de maça. Voltar a misturar, incorporando a espuma criada.
  4. Aquecer uma frigideira antiaderente com uma colher de sopa de óleo de coco. Formar as pataniscas uma colher de sopa/colher de servir e deixar cozinhar, em lume médio-baixo, durante cerca de 3 minutos de cada lado.
  5. Servir imediatamente (ficam perfeitas com arroz de tomate)!

 

 

Pão chapati (o pão mais fácil de sempre)

Última receita aqui no site foi o hummus de pimento assado, e devo dizer que este pão chapati é o complemento perfeito para este hummus e muitos outros petiscos. Já faço este tipo de pão há alguns anos e adoro, tanto pela sua simplicidade, como pela versatilidade.

Em que consiste o pão chapati, ao certo? Tal como o nome indica, é um pão achatado, fazendo lembrar uma espécie de crepe.

As vantagens do pão chapati:

  • Fica pronto em poucos minutos
  • Não necessita de levedar
  • Não necessita de forno
  • Pode ser feito com diferentes tipos de farinhas e especiarias
  • É versátil e combina com diferentes tipos de pratos

Já estão rendidos? Penso que sim! Esta é uma receita-base deste pão, com apenas três ingredientes: a farinha, a água e o sal. Podem fazer então diferentes variações, adicionando à receita diferentes aromáticas e especiarias.

Ingredientes que podem ser adicionados à esta receita:

  • Salsa picada
  • Especiarias (pimentão, curcuma…)
  • Alho picado ou ralado
  • Todo o outro tipo de aromáticas!

Gosto de fazer esta receita com a farinha de centeio integral. Apesar de ter glúten, é bem mais interessante do que o trigo. Para além disso, tem um sabor mais intenso, com um travo mais salgado e azedo. Quem mais adora centeio? Para versão sem glúten, teriam de ser feitas combinações com diferentes farinhas, em diferentes proporções. As substituições de receitas com glúten para receitas sem glúten nunca são de 1 para 1, infelizmente. Nunca fiz versão sem glúten, no entanto,  podem tentar fazer com farinha de grão e farinha de arroz!

Pão chapatiPão chapatiPão chapati

Pão chapati (o pão mais fácil de sempre)
 
Tempo de preparação
Tempo de cozimento
Tempo total
 
Autor:
Tipo de receita: Lanche/petisco
Cozinha: Vegan
Porções: 4 pães
Ingredientes
  • 150gr de farinha de centeio integral (ou trigo/espelta)
  • 70ml de água
  • ½ colher de chá de sal grosso
Instruções
  1. Numa tigela, colocar a farinha e o sal e ir adicionando aos poucos a água, até obter uma massa moldável (não deve colar às mãos).
  2. Formar uma bola de massa e dividir e 4 partes iguais. Com a ajuda de um rolo de massa, esticar cada pedaço até obter um pão chapati com 2-4mm de espessura.
  3. Aquecer uma frigideira ou wok (sem gordura) e colocar nela um pão de cada vez. Deixar cozinhar em lume médio, durante 3-4 minutos de cada lado (o pão vai formar bolhas por dentro, o que é bom sinal). Uma vez prontos os pães, deixá-los arrefecer numa tábua.
  4. Servir com hummus de pimento assado.

 

Tofu marinho com broa & a melhor batata assada

Estamos a alguns dias do Natal do ano de 2018! Nem acredito que este ano está a chegar ao fim…sei que toda a gente diz sempre isso, mas é verdade que passou num piscar de olhos.

Com a chegada da época natalícia, chegam também muitas vezes os exageros: na alimentação, nas prendas, no álcool, enfim, em tudo. É uma altura em que a prosperidade e a abundância são associados ao bem-estar.

Nas mesas tradicionais portuguesas, abundam as entradas, os petiscos, o bacalhau, o peru, e doces. Dezenas deles, certo? Apesar de nenhuma sugestão tradicional de natal ser minimente de base vegetal (penso eu), hoje em dia já são muitas as famílias a optar por receitas vegetarianas.

Elaborei várias receitas especialmente pensadas no Natal (mas que dão para qualquer ocasião especial) para o workshop “Mesa de Natal Vegetariana”, que aconteceu no Porto no passado dia 17 de Dezembro. Foi um workshop com muitas caras conhecidas (participantes habituais) e o feedback foi excelente.

Decidi então partilhar duas das receitas aqui no site Dicas da Oksi, para todos vocês terem a oportunidade de ter uma opção 100% vegetal na vossa mesa festiva! Ambas foram aprovadas pelos participantes do workshop e compõem-se em pouco tempo.

Para o prato principal, sugiro então tofu marinho com broa. Esta é uma receita excelente para quem não tem muito tempo de preparar a ceia e agrada àqueles que normalmente não gostam de tofu. Nesta receita, as algas nori (as que são usadas em sushi) dão um toque especial à receita, com aroma a mar.

Para acompanhar, uma das minhas receitas preferidas de sempre – a melhor batata assada. É uma receita que já faço há muito tempo e que surpreenda a toda a gente. A junção de alecrim, alho, azeite e vinagre confere um sabor especial à um ingrediente tão versátil como a batata.

Podem fazer as duas receitas ao mesmo tempo no forno, tendo em conta que a batata demora cerca de 20 minutos a mais a assar do que o tofu.

Se experimentarem as receitas, enviem-me as fotografias e então identifiquem a minha conta de facebook ou instagram. Vou amar ver!

Deixo de seguida então as receitas. Festas felizes para todos!

Tofu marinho com broa
 
Tempo de preparação
Tempo de cozimento
Tempo total
 
Autor:
Tipo de receita: Prato principal
Cozinha: Vegano, sem glúten
Porções: 4 doses
Ingredientes
  • 500gr de tofu firme
  • 4 folhas de alga nori (de sushi), cortadas em retângulos pequenos
  • 4 colheres de sopa de molho de soja
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • Pitada de pimenta preta

  • Para a crosta:
  • 200gr de broa de milho
  • 3 colheres de sopa de azeite
  • 2 dentes de alho
  • Pitada de pimenta preta
  • Sal grosso q.b.
Instruções
  1. Colocar num processador todos os ingredientes da crosta, e processar até obter uma consistência fina.
  2. Secar bem o bloco de tofu com papel de cozinha limpo. Cortar o bloco em fatias finas, do mesmo tamanho (criado assim “filetes”).
  3. Temperar cada pedaço com pimenta preta, molho de soja e azeite.
  4. Entre os “filetes”, colocar uma folha de de alga nori.
  5. Fazer duas-três camadas alternadas e finalizar com broa por cima.
  6. Levar a assar ao forno pré-aquecido a 180ºC, durante cerca de 40 minutos.
  7. Servir com “a melhor batata assada”.
Notas
NOTA: em vez de fazer camadas com filetes de tofu e algas, podem fazer uma versão aberta, fazendo recortes no bloco de tofu quase em todo o cumprimento, tal como numa das fotos do workshop em cima.

A melhor batata assada
 
Tempo de preparação
Tempo de cozimento
Tempo total
 
Autor:
Tipo de receita: Acompanhamento
Cozinha: Vegan, sem glúten
Porções: 4 doses
Ingredientes
  • 800 gr de batatas pequenas, com casca e cortadas a meio
  • 16-20 dentes de alho, esmagados com a casca
  • 10 colheres de sopa de azeite
  • 10 colheres de sopa de vinagre de maça
  • 2 ramos de alecrim fresco
  • 2 colheres de chá de sal grosso
  • Pitada de pimenta preta
Instruções
  1. Colocar numa panela as batatas e cobrir com água. Levar a cozer durante 10 minutos, até ficarem ligeiramente tenras.
  2. Entretanto, numa tigela, misturar o azeite, o vinagre, o sal, a pimenta, as folhas de alecrim e os dentes de alho.
  3. Colocar numa travessa de forno as batatas pré-cozidas e regar com o tempero e com um pouco de extra de azeite por cima.
  4. Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC, durante cerca de 60 minutos.

 

Panquecas vegan & sem glúten

Quem adora umas belas panquecas para um pequeno-almoço de fim-de-semana (ou outro dia qualquer!)?

Pessoalmente, prefiro as panquecas ao lanche e de manhã os meus batidos crus. Costumo fazer grandes doses de panquecas para vários dias, são um ótimo lanche para levarmos connosco para todo o lado!

Como já sabem, por aqui no Dicas da Oksi tudo é 100% vegetal. O que por si só pode ser um desafio na hora de fazer panquecas! Mas, para além disso, criei esta receita também sem glúten (e sem aveia, que muitas vezes tem vestígios de glúten) pois sei que muitos de vocês o evitam o seu consumo.

Quando procuramos substituições de farinhas sem glúten, são muito raras as vezes em que uma farinha só é suficiente para um resultado final satisfatório. Isto acontece porque os cereais com glúten, graças à esta proteína, dão um efeito de “puxa-puxa” e leveza aos pães, bolos, panquecas, etc.

Para alem disso, cereais como trigo, centeio e cevada são naturalmente ricos em proteína, dando consistência aos cozinhados. O mesmo não acontece com cereais sem glúten, por isso, para obter o efeito desejado, cada receita deve ter a sua própria combinação.

Como dou preferência a farinhas integrais e evito o uso de gomas e amidos, estas panquecas não ficam muito “altas e fofas”. Para obter umas panquecas mais ao estilo americano, é necessário usar farinhas e amidos refinados. Assim, não será uma opção tão saudável. No entanto, se gostavam que apresentasse aqui uma versão de panquecas deste género, digam nos comentários!

Esta receita rende cerca de 10 panquecas médias e elas são extremamente saborosas, saciantes e nutricionalmente completas! Usei farinha de trigo sarraceno, que é um pseudocereal rico em proteína e farina de arroz, para dar alguma leveza.

 

4.0 from 1 reviews
Panquecas vegan & sem glúten
 
Tempo de preparação
Tempo de cozimento
Tempo total
 
Autor:
Tipo de receita: Pequeno-almoço
Cozinha: Vegan, Sem glúten
Porções: 10 panquecas médias
Ingredientes
  • 160 ml de leite vegetal
  • 50 gr de farinha de arroz integral
  • 50 gr de farinha de trigo sarraceno
  • 1 colher de sopa (rasa) de sementes de linhaça moídas
  • 1 colher de sopa de geleia de agave (ou outro adoçante líquido)
  • 1 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 1 colher de chá de vinagre de maça
  • Pitada de sal grosso marinho
  • 1 colher de sopa de óleo de coco (para untar)
Instruções
  1. Numa taça, começar por misturar a farinha de arroz, a farinha de trigo sarraceno, a linhaça moída e o sal.
  2. Adicionar o leite vegetal e a geleia de agave e voltar a misturar até obter uma consistência homogénea. Se necessário, adicionar mais um pouco de leite.
  3. Por fim, adicionar o bicarbonato de sódio e abafar o mesmo com vinagre de maça (colocar o vinagre por cima do bicarbonato)
  4. Aquecer uma frigideira ou crepeira antiaderente, com um pouco de óleo de coco.
  5. Formar as panquecas, deitando com cuidado uma colher de sopa grande da massa na frigideira.
  6. Cozinhar as panquecas em lume médio, durante cerca de 2 minutos do primeiro lado e 1 minuto do segundo lado.
  7. Servir com iogurte natural e fruta da época!

 

Pseudocereais que tens de conhecer

Quando se fala em cereais integrais, a maioria das pessoas pensa em “eu não tenho tempo para isto”. É um um facto que a maioria dos cereais integrais demora algum tempo a preparar, como é o caso do arroz, aveia, cevada e trigo. Por exemplo, um dos cereais mais populares em Portugal é o arroz, sendo que a sua versão branca demora 10 minutos a ficar pronta e a sua versão integral demora cerca de 40 minutos.

No entanto, não é este o caso de muitos cereais. Dentro da família dos cereais, existem culturas denominadas de pseudocereais – plantas que segundo o ponto de vista biológico são consideradas sementes, no entanto, na nossa cultura são consumidas como cereais integrais (McKeown et al, 2013).

É importante referir uma possível desvantagem dos pseudocereais. Na maioria não são produzidos em Portugal, sendo importados. No entanto, têm sido feitos progressos neste sentido e já é possível encontrar Quinoa de origem portuguesa, por exemplo. Assim, é importante verificar a origem ao comprar o produto.

A Quinoa é original de Peru e foi um verdadeiro ouro trazido pelos incas. Tal como os alimentos de origem animal, é uma proteína completa e é de fácil digestão. Misturas de quinoa com alguma fonte de gordura era usadas pelos incas como “bolas de guerra”, fornecendo energia para as tropas enquanto elas marchavam pelos Andes  (Small 2013).

Existem três variedades diferentes de Quinoa – branca, vermelha e preta. É possível encontrar à venda misturas dos três tipos deste pseudocereais, que são interessantes por proporcionar texturas (a Quinoa branca é a mais suave) e nutrientes ligeiramente diferentes.

Principais características da quinoa:

  • Contém todos os amino-ácidos essenciais, sendo uma proteína completa
  • Naturalmente sem glúten
  • Fonte de beta-caroteno (Graf et al, 2015)
  • Rica em magnésio
  • Fonte de fibra
  • Rica em ferro e folato

Dizem que foi graças ao trigo sarraceno que a antiga URSS ganhou a II guerra mundial. O trigo sarraceno – também conhecido por kasha(a sua versão torrada a seco), é original da Rússia e, tal como a Quinoa, é nutricionalmente completo.

É um alimento mais consumido no inverno do que no verão e pode ser usado tanto como acompanhamento, como em saladas frias e papas doces quentes (era um dos meus pratos preferidos quando era criança).

O trigo sarraceno é rico em flavonoides – fitonutrientes encontrados em produtos de origem vegetal que parecem contribuir para a promoção da saúde, nomeadamente a redução do colesterol (Kayashita et al, 1997), a regulação da hipertensão (Ma et al, 2006) e o controlo da inflamação e diabetes (Kawa et al, 2003).

Principais características nutricionais do trigo sarraceno *:

  • Contém todos os amino-ácidos essenciais, sendo uma proteína completa
  • Naturalmente sem glúten
  • Rico em magnésio e cobre
  • Fonte de fibra
  • Fonte de flavonoides

A associação mais antiga que eu tenho deste cereal parte da minha infância – dar de o comer às galinhas (na Ucrânia é mais comum como alimento para animais, do que para os humanos). A verdade é que o Millet tem as características perfeitas para todos: é nutritivo, de extremamente fácil digestão e ainda tem a capacidade de acalmar o estômago. O consumo de Millet é reforçado aquando de transtornos gastro-intestinais, especialmente a combinação do Millet com abóbora cozida (combinação muito popular na macrobiótica e nos países de leste).

Millet é considerado um alimento funcional por fornecer fibra dietária, proteínas, energias, minerais, vitaminas e anti-oxidantes essenciais a saúde humana (Saleh et al, 2013).

Principais características nutricionais do millet*:

  • Contém todos os amino-ácidos essenciais, sendo uma proteína completa
  • Naturalmente sem glúten
  • Fonte de magnésio, cobre e cálcio
  • Fonte de vitaminas do completo B (com exceção da B12)

Já conheciam estes alimentos? Costumam consumi-los? Partilhem nos comentários as vossas experiências!

Referências:

Graf, B. L., Rojas‐Silva, P., Rojo, L. E., Delatorre‐Herrera, J., Baldeón, M. E., & Raskin, I. (2015). Innovations in health value and functional food development of quinoa (Chenopodium quinoa Willd.). Comprehensive reviews in food science and food safety14(4), 431-445.

Kawa, J. M., Taylor, C. G., & Przybylski, R. (2003). Buckwheat concentrate reduces serum glucose in streptozotocin-diabetic rats. Journal of Agricultural and Food Chemistry51(25), 7287-7291.

Kayashita, J., Shimaoka, I., Nakajoh, M., Yamazaki, M., & Kato, N. (1997). Consumption of buckwheat protein lowers plasma cholesterol and raises fecal neutral sterols in cholesterol-fed rats because of its low digestibility. The Journal of Nutrition127(7), 1395-1400.

Ma, M. S., Bae, I. Y., Lee, H. G., & Yang, C. B. (2006). Purification and identification of angiotensin I-converting enzyme inhibitory peptide from buckwheat (Fagopyrum esculentum Moench). Food chemistry96(1), 36-42.

McKeown NM, Jacques PF, Seal CJ, de Vries J, Jonnalagadda SS, Clemens R, Webb D, Murphy LA, van Klinken JW, Topping D, Murray R, Degeneffe D, Marquart LF. 2013. Whole grains and health: from theory to practice – highlights of the Grains for Health Foundation’s Whole Grains Summit 2012. J Nutr 143(5):744S-58S.

Saleh, A. S., Zhang, Q., Chen, J., & Shen, Q. (2013). Millet grains: nutritional quality, processing, and potential health benefits. Comprehensive Reviews in Food Science and Food Safety12(3), 281-295.

Small E. 2013. Quinoa—is the United Nations’ featured crop of 2013 bad for biodiversity? Biodiversity 14(3):169–79.

*  segundo a ferramenta cronometer.com

Granola de quinoa

Confesso que não tenho por hábito fazer granola muitas vezes, mas adoro sentir aquele aroma delicioso a perfumar a cozinha e a ter algo crocante para juntar aos iogurtes ou taças de batidos.

Esta receita em particular surgiu num dia em que me tive esta vontade, mas não tinha nem aveia nem oleaginosas em casa. Assim, à primeira vista, seria missão impossível fazer granola!

Pensei melhor e surgiu-me a ideia de fazer uma granola com base em quinoa, que é um pseudo-cereal extremamente completo nutricionalmente e tem todos os amino-ácidos essenciais, sendo uma proteína completa. Nunca tinha visto nenhuma granola de quinoa e pensei “Porque não?” E assim foi!

A verdade é que o resultado foi delicioso, a quinoa adquiriu uma textura completamente diferente e crocante! Adicionei também lascas de coco (que só se devem juntar no final por queimarem muito facilmente) e pepitas de cacau cruas, para dar um toque mais crocante e intenso.

Em relação ao adoçante, usei melaço de cana, que parece ser uma das melhores opções entre diferentes adoçantes *1. O melaço tem um sabor e cor intensos, mas em receitas em que se usa o cacau, penso que resulta muito bem.

Granola de quinoa
 
Tempo de preparação
Tempo de cozimento
Tempo total
 
Autor:
Tipo de receita: Lanche/petisco, Pequeno-almoço
Cozinha: Vegan, Sem glúten
Porções: 500gr
Ingredientes
  • 200 gr de quinoa, previamente demolhada durante 8-12h
  • 100 gr de lascas de coco
  • 100 gr de passas (ou outro fruto-seco)
  • 50 gr de pepitas de cacau
  • 3 CS de melaço de cana (ou outro adoçante líquido)
  • 2 CS de cacau em pó
  • 1 CS de óleo de coco
Instruções
  1. Colocar a quinoa num tabuleiro e levar ao forno pré-aquecido a 170ºC durante 15 min, até voltar a secar e ficar ligeiramente crocante.
  2. Misturar o óleo de coco com o melaço e o cacau em pó e envolver a quinoa com este xarope. Voltar a levar ao forno durante cerca de 15 min ou até torrar ligeiramente.
  3. Desligar o forno, juntar as lascas de coco por cima de quinoa e levar ao forno até ligares ligeiramente torradas, com o calor residual.
  4. Deixar arrefecer o preparado e misturar, por fim, as passas e as pepitas de cacau. Está pronta!

*1 M. P. Katherine and H. C. Monica. Total antioxidant content of alternatives to refined sugar. J Am Diet Assoc. 2009 Jan;109(1):64-71.